Sem perder tempo, logo a 31 de Dezembro de 1933, Salazar proibiu os sindicatos livres. Esta foi apenas mais uma das acções de repressão e de violação das liberdades individuais do povo Português.
Naturalmente, a revolta dos trabalhadores era evidente pela exploração de que eram vítimas, pela intimidadação que sofriam de "mão atadas".
No dia 18 de Janeiro de 1934, o levantamento operário fez tremer Salazar. De 17 para 18 e durante todo o dia 18 de Janeiro, aconteceram no país cortes de linhas telegráficas, descarrilamento de comboios, explosões, assaltos a postos policiais, etc. .
Foi na Marinha Grande que o movimento operário teve mais expressão graças à maior coesão dos trabalhadores. Estes dominaram a cidade subjugando a força da GNR local.
Foi na Marinha Grande que o movimento operário teve mais expressão graças à maior coesão dos trabalhadores. Estes dominaram a cidade subjugando a força da GNR local.
De madrugada, grupos de operários, concentraram-se fora da localidade e convergiram depois para os pontos estratégicos. A via férrea; cortaram árvores para obstruírem as estradas; cortaram as linhas telefónicas, um grupo desloca-se a Leiria para ajudar no corte de linhas eléctricas entre Leiria, Batalha e Pombal e os restantes grupos ocuparam o posto da GNR e o edifício dos Correios.

(Na foto a praça junto à câmara municipal e à Real Fábrica de vidros ocupada pelas forças do regime)
A coragem, a determinação, a generosidade dos combatentes de 18 de Janeiro, permanecem desde então na memória colectiva dos trabalhadores e do povo da Marinha Grande.
Este acto heróico teve como consequência uma feroz repressão que se abateu sobre os revolucionários do 18 de Janeiro, tornando ainda mais dura e desigual a luta.
O fascismo apenas conseguiu matar homens mas nunca matou a aspiração dos marinhenses à liberdade nem a bolsa de resistência e luta activa que sempre existiu nesta cidade de gente trabalhadora e humilde que não recua jamais perante a invasão dos seus direitos e liberdades.

Salazar respondeu ao 18 de Janeiro com a criação da prisão do Tarrafal, para onde foram enviados para a morte tortura e sofrimento muitos dos heróis do 18 de Janeiro.
Desde 1934 sucessivas gerações de marinhenses, (pagando muitas vezes o mais elevado dos preços), deram com a sua luta perseverante, uma inestimável contribuição para que o povo português, derrubada da ditadura em 25 de Abril de 1974.
O último dos heróis de 1934 morreu em 2007 aos 95 anos, chamava-se João Bacharel.
Foi companheiro de luta de José Gregório, dos assassinados no Tarrafal António Guerra e Augusto costa entre outros nomes que os marinhenses tão bem conhecem.
O meu obrigado por me fazerem ter orgulho na história da minha cidade, obrigado pelo valores que nos deixaram a cargo!
8 comentários:
:)
Obrigada pela lição de história!
Tens razão em estar orgulhoso João! É essa memória de grandes homens que devemos manter viva. A luta pela liberdade deve ser sempre uma constante. Sem ela nada é possível.
Deviam haver mais dias assim!
um bjo
e pronto.
já posso ir para a cama dormir descansado, com a lição de história dada pelo Prof. João.
abraços.
uma das maravilhas da vida é estarmos sempre a aprender. obrigada amigo por este passeio pela História :-)
bjs
AH carago!!!
é só cravos por aqui...
nada como um bocadinho de história...
estás fixe?
:) Está descrito um pouco da Marinha!
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